Hepatite viral: motivo de preocupação nos dias atuais?

As hepatites virais, em todas as regiões do mundo, estão entre as principais causas de óbito, comprometimento, sequelas na saúde e diminuição de anos de vida útil das pessoas. Globalmente, as hepatites virais matam mais pessoas do que a tuberculose, HIV e malária, individualmente.

Quem são, afinal de contas, essas “hepatites virais”? Há tratamento? Há vacinas disponíveis? Como evitar?

 A hepatite viral é uma inflamação do fígado causada por um vírus. Diversos vírus que atacam o fígado em especial já foram descritos. Do ponto de vista da população do Rio de Janeiro, os  mais importantes são os vírus nomeados pelas letras A, B e C. Cada um vírus tem características, formas de contágio e evolução diferentes.

O vírus da hepatite A (HAV) é em geral transmitido por água ou por alimentos contaminados com as fezes de um portador humano. Diz-se, portanto, que a transmissão é fecal-oral. Por isso, está relacionada às más condições de higiene e/ou de saneamento básico. É a mais conhecida das hepatites. Não há tratamento específico, mas a evolução em geral é boa e a recuperação é completa. Raros casos ( 0,1%) evoluem para uma hepatite fulminante. Existe vacina, que pode ser dada em crianças acima de 1 ano de idade, e é bastante eficaz. A partir de 2017 foram relatados diversos surtos de hepatite A envolvendo homossexuais masculinos. Assim, recomenda-se que todos os homens que fazem sexo com homens e que não tenham tido hepatite A sejam vacinados.

 O HBV, ou vírus da hepatite B é em geral transmitido por sangueou contato sexual. Dentre as pessoas acometidas, 90-95% se curam. As outras 5-10% podem permanecer com o vírus por mais de 6 meses, evoluindo para a forma crônica da doença. Estes, por sua vez, têm maior propensão a desenvolver cirrose hepática ou carcinoma hepatocelular. Várias drogas são eficazes para impedir a replicação do HBV e, assim, diminuir a possibilidade de evolução para cirrose ou câncer. A vacina contra HBV é extremamente eficaz e deve ser administrada na maternidade, nos primeiros dias de vida do bebê. A vacinação é recomendada para todos os adolescentes e adultos, em particular homens que fazem sexo com homens, não vacinados na infância e está disponível gratuitamente no sistema público de saúde. O tratamento também está disponível na rede pública.

 O HCV, vírus da hepatite C, é geralmente transmitido por procedimentos que envolvem sangue sem os devidos e fundamentais cuidados de esterilização, tais como: uso de drogas injetáveis, acupuntura, colocação de piercings ou tatuagens, em precárias condições de higiene ou até mesmo por instrumentos de manicures ou barbeiros que não foram devidamente esterilizados. Embora menos frequente, a transmissão sexual também ocorre, particularmente entre homens que fazem sexo com homens. A hepatite C é frequentemente assintomática em suas fases iniciais. Embora 20% dos infectados se curem espontaneamente (sem tratamento), os que não se curam podem evoluir para quadros graves de cirrose e câncer do fígado, particularmente se fazem uso de álcool. Felizmente, a hepatite C é inteiramente curável através de comprimidos que precisam ser tomados por apenas 3 meses e que estão disponíveis na rede pública.

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